sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Resistência e luta

Institucionalização - As mobilizações populares que resultaram na queda da ditadura e que, posteriormente, provocaram o "impeachment" do então presidente Fernando Collor de Mello, foram engolidas pela institucionalidade e, hoje, pouco podem influenciar na conjuntura. Os movimentos sociais populares e os sindicatos de trabalhadores estão limitados a defender conquistas do passado, especialmente por causa dos ataques do golpismo.

Golpismo - Os articuladores do golpe de 2016 vem conseguindo cumprir uma agenda de implantação de medidas supressivas de direitos, e a composição do parlamento brasileiro vem ajudando nesta trajetória. Por comprometimento político com o conteúdo do golpe ou por fisiologismo, a maioria dos parlamentares vem dando sustentação ao presidente ilegítimo e vem votando favoravelmente a medidas propostas pelo governo sem voto, sob encomenda do golpismo.

Oposição - O PT, os demais partidos de esquerda e os defensores da democracia não têm votos suficientes para modificar o cenário. O poder de pressão dos movimentos sociais populares também não têm conseguido barrar o avanço do golpismo. As regras institucionais, assimiladas pelo PT e pelo conjunto da oposição, fazem com que decisões estapafúrdias, como a que extinguiu inúmeros direitos sociais e trabalhistas, ganhem um verniz de legitimidade. É como se a injustiça se tornasse justa somente porque teve o apoio da maior parte dos parlamentares.

Comunicação - A mídia tradicional estampa números positivos do governo sem voto, e afirma que o progresso está próximo. Os mesmos veículos de comunicação também evidenciam números negativos da previdência social, uma forma de convencer parlamentares indecisos a acabar com as aposentadorias e de pressionar a opinião pública para que seja a favor de medidas supressivas de direitos, em favor do desenvolvimento econômico que, é óbvio, vai beneficiar uma minoria.

Resistir - O cenário não é favorável, mas a ofensiva do golpismo só pode ser impedida com muita mobilização e luta. A resistência das ruas vai construir uma nova realidade. O fator decisivo para que as mudanças beneficiem a maioria da população será o fortalecimento dos movimentos sociais populares e sua articulação, de modo a assegurar que o futuro seja mais justo e mais igualitário.        

Seletividade, divisão e unidade

Seletividade - A mídia tradicional divulga, nesta sexta feira, ações da Polícia Federal que resultaram na prisão de seis pessoas. O objetivo midiático, na divulgação da notícia, é o de atingir o Partido dos Trabalhadores. Entre os presos está um companheiro que foi deputado federal pelo PT. Os nomes dos outros presos não são citados nas reportagens, em mais uma demonstração da seletividade midiática.   

Atropelamento - Um atentado lamentável, na cidade de Barcelona (Catalunha), que resultou na morte de dezoito pessoas, ocupou o espaço importante no noticiário dos grandes veículos de comunicação. Recentemente, o atropelamento de pessoas passou a ser utilizado em ações violentas. É a oitava vez que acontece episódio semelhante na Europa. O noticiário não se refere a outras partes do mundo, nem relaciona o episódio com a ação de um terrorista de direita que, nos Estados Unidos da América do Norte, investiu com seu carro contra uma multidão, matando uma pessoa. 

Divisão - Conhecidos por sua costumeira indecisão e apresentados, com certa frequência, como integrantes de partido político que vive "em cima do muro", os tucanos, ultimamente, podem ser apresentados também como "o partido da divisão". Depois da ida para o ostracismo do senador que foi candidato a presidente da república em 2014, eles têm dois candidatos para as eleições de 2018 (Dória e Alckmin), e não concordam sobre a permanência ou desembarque do governo sem voto. Em programa televisivo, exibido nesta quinta feira (17 de agosto), o PSDB criticou o que chamou de "presidencialismo de cooptação" e defendeu o parlamentarismo.

Unidade - Apesar da aparente divisão interna, o PSDB continua defendendo a adoção das medidas supressivas de direitos propostas pelo governo sem voto. Os reparos ao presidente ilegítimo e a seus apoiadores se limitam ao aspecto moral, muito comum na mídia tradicional. No essencial, ou seja, no conteúdo do projeto golpista, os tucanos e a Rede Globo concordam. Ele só têm diferenças sobre quem será capaz de viabilizar as mudanças pretendidas pelo mercado financeiro.      

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Comunicação e opinião pública

Mídia - A insistência com que são dadas notícias sobre casos de violência envolvendo menores de idade, por exemplo, é decisiva para o desenvolvimento de um senso comum favorável à diminuição da maioridade penal. A divulgação sistemática de paisagens bonitas faz com que as pessoas desenvolvam uma certa aversão a moradores de rua e, sem ter consciência disso, acabarem apoiando iniciativas discriminatórias dos poderes públicos.

Dicotomia - As classes populares não tem instrumentos abrangentes de comunicação. Os lavradores sem terra são tratados como bandidos, enquanto os latifundiários são retratados, sempre, como empresários bem sucedidos. Os trabalhadores sem moradia, nas grandes cidades, são vistos como vândalos, enquanto que os beneficiários da especulação imobiliária são apresentados, frequentemente, como empreendedores de sucesso.

Mudança - Modificar esta visão distorcida da realidade exige um esforço muito grande dos movimentos sociais populares e dos profissionais de comunicação. A preocupação com a defesa de interesses corporativos e de demandas localizadas preenche a maior parte do esforço de comunicação das classes populares. Os profissionais de comunicação, por seu lado, tratam, prioritariamente, da própria sobrevivência, enquanto se ocupam de divulgar a realidade de modo a construir uma opinião pública mais justa e mais igualitária.
Instrumentos - Os veículos de comunicação da mídia tradicional se ocupam de divulgar notícias e informações que pretendem moldar a opinião pública à ideologia conservadora. Órgãos de comunicação da mídia alternativa, ainda que existentes, representam uma minoria quase insignificante, e se limitam a protestar contra a propaganda de ideias que a própria civilização humana já superou. A transformação da sociedade só vai acontecer quando a maioria da população puder andar com os próprios pés e pensar com o próprio cérebro, e isto só vai acontecer quando houver uma completa e total democratização das comunicações, hoje sob controle de poucas famílias e empresas.   

Estados Unidos, Filipinas e o pensamento conservador

Violência - Nos Estados Unidos da América do Norte, um simpatizante do nazismo dirigiu um carro contra uma multidão, e causou a morte de uma pessoa. Nas Filipinas, numa noite sangrenta, trinta e duas pessoas foram assassinadas pela polícia. Os simpatizantes norte americanos da ideologia de direita não foram aplaudidos pelo governo daquele país. Também não foram foram condenados. O presidente Donald Trump preferiu responsabilizar os dois lados pelo que ele chamou de "conflito". 

Governo - Nas Filipinas, o presidente Rodrigo Duterte aplaudiu as ações da polícia. Ele foi eleito com a promessa de acabar com o tráfico de drogas, nem que para isso tenha que chacinar parte da população. Em seus discursos, costuma encorajar policiais e civis a matarem traficantes e dependentes de drogas, prometendo proteção e imunidade. Organizações de Direitos Humanos estimam que a situação já resultou em mais de nove mil mortos.

Impunidade - A violência, no Brasil, não tem um conteúdo ideológico tão explícito, mas isto não significa que ela não aconteça, com o apoio tácito de autoridades. Mortes no meio rural, tratadas como "conflitos pela posse da terra", vitimam trabalhadores rurais, assassinados sem qualquer chance de defesa; ações violentas, nas periferias das grandes cidades, matam jovens pobres e negros, também sem qualquer possibilidade de resistir; e agressões e assassinatos de moradores de rua passaram, recentemente, a fazer parte do cotidiano das grandes cidades.

Lógica - A lógica do presidente Donald Trump, de que o confronto em Charlottesville teve "responsabilidade dos dois lados", é a mesma utilizada pelo latifúndio para explicar a violência no meio rural, atribuindo a ocorrência de assassinatos a "conflitos pela posse da terra". A justificativa para a violência nas periferias se baseia na hipotética (e inexistente) resistência de jovens pobres e negros a ações policiais. E o assassinato de moradores de rua é utilizado para promover a higienização dos centros urbanos, que tenta esconder a miséria provocada pelo capitalismo.

Ideologia - A ideologia socialista e libertária, mais humana e mais solidária, precisa tomar o lugar dessa lógica perversa, para instituir um modo de vida mais condizente com os avanços da civilização humana. O mundo civilizado venceu a escravidão, mas ainda existem episódios de trabalho escravo que precisam ser extintos. O nazismo foi derrotado, mas as ideias de supremacia branca ainda sobrevivem, em várias partes do mundo. O bom senso indica a necessidade de diálogo e entendimento, mas as ações violentas buscam se justificar na defesa da propriedade individual.   Só o fim do capitalismo poderá estabelecer uma nova realidade, onde todos os seres humanos possam viver com liberdade, de igualdade e de generosidade.           

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Golpismo, democracia e ódio

Em campanha - O prefeito tucano da cidade de São Paulo está se tornando cidadão de várias capitais do nordeste. Depois de Salvador, onde foi recebido com uma chuva de ovos, desta vez ele foi a Natal, capital do Rio Grande do Norte, para receber a mesma honraria. Na capital potiguar a saudação a ele também teve protestos. A população natalense protestou na entrada da solenidade. Uma das faixas do protesto diz que ele "nunca será natalense". Ele pouco se importa com os protestos. Seu objetivo é construir bases eleitorais em lugares onde, como no nordeste, ainda é desconhecido. Ele pretende ser candidato a presidente da república em 2018 e, com sua fama de gestor, prosseguir a implantação do projeto golpista iniciado pelo presidente ilegítimo.

Reforma política - Nesta quarta feira deve ter início, no plenário da câmara dos deputados, a votação dos projetos de reforma do sistema eleitoral. Para valer nas próximas eleições, eventuais mudanças terão que ser aprovadas, em duas votações, pela câmara dos deputados e pelo senado. Os grandes veículos de comunicação fazem barulho sobre a proposta de criação de um fundo público para o financiamento das eleições, mas secundarizam a divulgação de notícias sobre a proposta de transformar cada unidade da federação em distrito eleitoral (distritão). 

Venezuela - Depois de ocupar minutos diários do noticiário, a situação na Venezuela desapareceu das manchetes nos grandes veículos de comunicação. Muito provavelmente o processo iniciado com a eleição da assembleia nacional constituinte naquele país deve estar caminhando normalmente, e não há interesse da mídia tradicional em divulgar essa normalidade.

Racismo - Ao não condenar veementemente uma manifestação racista, Donald Trump deu razão aos promotores da marcha, entre os quais estavam integrantes de movimentos como a Ku Klux Klan. Ao atribuir o confronto aos "dois lados", ele se colocou contra os avanços da civilização humana, e tentou culpar vítimas da agressão como se a violência tivesse sido causada por pessoas que foram agredidas. O atual presidente dos Estados Unidos da América do Norte chegou ao cargo sem obter o voto da maioria dos votos dos eleitores norte americanos. Sua ascensão só foi possível por causa da eleição indireta que existe lá. O colégio eleitoral que o escolheu tinha a marca da intolerância, e as suas palavras e ações fazem com que o ódio seja, novamente, um fantasma a assombrar a humanidade. 

Economia e política

Supressão de direitos - A reprovação pública do presidente ilegítimo é reveladora de que o golpismo nunca teve a menor sensibilidade com o que pensa a opinião pública, a não ser que o pensamento da população coincida com seus interesses. O momento atual, para o golpismo, é de reforçar uma agenda de votações parlamentares que transforme em lei o seu projeto. Medidas supressivas de direitos e de desmonte do aparato estatal estão em fase de implantação. Mudanças anunciadas nas regras da previdência social indicam que o governo sem voto vai continuar a perseguição da diminuição do déficit público às custas dos direitos dos trabalhadores.

Déficit - O anúncio do número previsto para o déficit público, alardeado pela mídia tradicional, tem a intenção de pressionar o parlamento a aprovar cortes de gastos e medidas supressivas de direitos. A governabilidade é exercida pelo mercado financeiro, que enxerga na diminuição dos gastos públicos uma condição receber os valores de face dos títulos da dívida pública. O parlamento é composto, majoritariamente, por deputados e senadores eleitos com a ajuda do poder econômico. Não será surpresa que a marcha do avanço golpista continue em frente, com a efetivação da reforma da previdência.

Efeito cascata - As medidas do golpismo não se limitam ao plano federal. O corte de gastos públicos é responsável por um conjunto de medidas, nos estados e municípios, que devem penalizar as classes populares. Na cidade de São Paulo, o prefeito tucano está insistindo na privatização de bens públicos, apesar da resistência manifestada pela população. A intenção da administração municipal é de entregar, para a exploração de investidores privados, bens públicos como o Estádio do Pacaembu e o Autódromo de Interlagos. Paralelamente à ofensiva privatista, a prefeitura está cortando serviços públicos, notadamente na periferia da maior cidade do país.

Exclusão - A política econômica do golpismo está aprofundando a exclusão social já existente em nosso país. Decisões judiciais de reintegração de posse estão expulsando ocupações urbanas e premiando a especulação imobiliária. Imóveis ocupados estão sendo restituídos a seus proprietários, ignorando a legislação que prevê o uso social de qualquer propriedade, consagrando uma triste realidade onde "há muitas casas sem gente e muita gente sem casa".

Violência -  O golpismo também é responsável por um crescimento da intolerância e da violência. Recentemente soubemos de mortes de moradores de rua, em vários pontos da cidade. A lógica do capitalismo pretende, ao que parece, "acabar com a pobreza exterminando (fisicamente) os pobres". Episódios de violência, desgraçadamente, não são fatos isolados. Tiros (à luz do dia ou de madrugada) foram legitimados pela ação, determinada pelo prefeito tucano, de atacar moradores de rua com jato de água fria.  

domingo, 13 de agosto de 2017

Paternidade: passado, presente e futuro

Aspecto comercial - O dia dos pais faz parte do calendário comercial, e pretende estar muito longe de relações afetivas entre gerações, o que seria razoável e necessário. Anúncios televisivos e avaliações do movimento do comércio ocupam mais espaço do que o comprometimento entre pais e filhos. A data, no entanto, deve ser evidenciada mais pelo seu aspecto afetivo do que pelo seu apelo comercial. Outro ponto a ser destacado é o comprometimento entre gerações, a luta pela construção de um mundo melhor e mais justo.

Afetividade e futuro - Ainda que o aspecto comercial prevaleça no dia dos pais e em outras datas importantes do ano, é importante ressaltar o aspecto afetivo da ocasião. O dia dos pais deve servir, sempre, para uma reflexão importante sobre o futuro. Diferentemente do que predomina na mídia tradicional, a data precisa suscitar esperanças e reforçar uma ideologia que destaque os avanços da civilização humana. O mundo em que vivemos hoje é resultado dos esforços e lutas de nossos antepassados. Do mesmo modo, a situação do futuro será o resultado do que fizermos no presente. Crianças e jovens dos dias de hoje, serão protagonistas do futuro e, com certeza, construtores de um mundo melhor e mais justo.

Chegadas e despedidas - Eu e meus irmãos perdemos nosso pai há pouco mais de quatro anos. Apesar de todos os esforços, não conseguimos chegar a tempo do sepultamento dele, certamente para que a última lembrança que tenhamos do seo Benedito não seja a de um corpo inerte dentro de um caixão, mas a figura que tocava viola e que brincava com a gente. Hoje ele brilha como uma estrela no céu, e olha por todos os filhos e por todas as filhas. De modo semelhante, daqui a algum tempo eu também vou partir do convívio dos meus descendentes. Como diz uma canção, lindamente interpretada pela filha da Elis Regina, "chegar e partir são só dois lados da mesma viagem", e o futuro será construído pelos nossos filhos e filhas, do mesmo modo que construímos, todos os dias, o tempo que estamos vivendo, com base no que aprendemos com nossos pais.

Mulheres de fibra - A data também deve servir para homenagear inúmeras mulheres de fibra que, a exemplo da minha mãe e das mães de meus filhos e filhas, fizeram o papel de pai em diversos momentos. A figura paterna é insubstituível, mas a dedicação dessas mulheres merece destaque, especialmente porque fizeram de tudo para construir, para o futuro, mulheres e homens que sejam, efetivamente, protagonistas da história dos seres humanos.